Um passeio pelas bibliotecas de Ouro Preto: Cultura, literatura e história
Ouro Preto tem uma relação antiga com a literatura. Pelas ladeiras da cidade já subiram e desceram inúmeros escritores famosos, Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e Bernardo Guimarães são apenas alguns entre tantos. As ruas de pedra, os casarões históricos e as igrejas barrocas também já foram cenário de muitos romances, como A ladeira da saudade de Ganymédes José.
E claro que, num lugar que transpira literatura como esse, não poderiam faltar bibliotecas. Sejam elas das mais recentes ou daquelas que estão na ativa desde outros séculos, cada uma guarda um capítulo único da cidade. São acervos raros, centenas de volumes de tempos, idiomas e temas variados, disponíveis para a população. Outras iniciativas sociais e culturais também são desenvolvidas nas bibliotecas da cidades, como oficinas, saraus e eventos literários.
A seguir, apresentamos um pouco mais sobre três bibliotecas da cidade, que se destacam, cada uma a seu modo, na cena literária ouro-pretana.
Biblioteca Pública Municipal de Ouro Preto
Instalada hoje em um casarão do século XVIII na Rua Xavier da Veiga, a Biblioteca Pública é um dos equipamentos culturais mais acessíveis e dinâmicos da cidade. Seu percurso histórico mostra isso: nasceu na Praça Tiradentes no início do século XX, passou pela antiga Estação Ferroviária e só nos anos 1990 ganhou sede própria no imóvel que já serviu como Mercado e Pouso dos Tropeiros.

Com um acervo superior a 50 mil obras, a biblioteca recebe estudantes, pesquisadores, turistas e moradores de todas as idades. Nos últimos anos, ampliou ainda mais sua atuação com o sistema digital SOPHIA, que disponibiliza milhares de obras online, e com o projeto DeLivro, que entrega livros gratuitamente em casa, iniciativa que já alcançou mais de 100 famílias, inclusive nos distritos.
A instituição também ganhou uma nova Sala de Leitura Infanto-juvenil, fruto da parceria com o Rotary Club e a Saneouro. O espaço conta com mais de 1.000 obras, profissionais especializados e propostas de mediação literária voltadas para crianças e adolescentes. Uma maneira eficaz de formar leitores e democratizar a cultura desde cedo.
A biblioteca está localizada na Rua Xavier da Veiga, nº 309, o horário de funcionamento é de 8h às 17h, de segunda a sexta.
BIBORAR – Biblioteca de Obras Raras da Escola de Minas
A BIBORAR é um dos tesouros menos conhecidos de Ouro Preto, e um dos mais impressionantes. É a segunda biblioteca de engenharia mais antiga do Brasil e guarda o acervo original da Escola de Minas, fundada em 1876 pelo professor Claude Henri Gorceix. Desde 1897, funciona no antigo salão de baile do Palácio dos Governadores, hoje Museu de Ciência e Técnica da UFOP.
O espaço preserva cerca de 30.500 volumes, entre livros científicos, periódicos raros, legislação, manuais e obras editadas entre os séculos XVII e XX, muitas em francês. Também abriga as coleções especiais Carlos Walter e Ex-alunos da Escola de Minas, além do Laboratório de Conservação Preventiva, responsável por manter o acervo em condições ideais.
A biblioteca passou por um amplo processo de revitalização financiado pela Lei Rouanet e pela Petrobras, mantendo mobiliário e características originais de um autêntico gabinete de leitura do século XIX. É um patrimônio científico e histórico de enorme relevância para o país.
Os atendimentos devem ser agendados pelo e-mail bibraras.sisbin@ufop.edu.br
Biblioteca Rui Mourão – Museu da Inconfidência
Localizada na Casa do Pilar, a Biblioteca Rui Mourão reúne cerca de 20 mil volumes com forte ênfase em História de Minas, Artes, Literatura, Religião, Museologia e Patrimônio. O acervo inclui mais de 1.400 obras raras, além de periódicos, monografias, teses e publicações diversas, compondo uma base de pesquisa essencial para quem estuda a Inconfidência, o período colonial ou a formação cultural mineira.
O trabalho ali vai muito além da preservação: catalogação, indexação, intercâmbio com outras instituições, conservação, atendimento especializado e apoio sistemático aos pesquisadores. A consulta é gratuita e pode ser feita de terça a sexta, das 13h às 17h, mediante agendamento.
Ouro Preto não é feita apenas de pedra, ouro e arte barroca. Ela também é feita de livros, dos raros aos contemporâneos, dos infantis aos técnicos, dos manuscritos às obras digitais. Cada uma dessas bibliotecas amplia e aprofunda a experiência de quem visita a cidade, permitindo acessar camadas da história que não estão nas ruas, mas nos arquivos. Se você gosta de cultura, educação e memória, inclua esses espaços no seu roteiro, eles dizem muito sobre a cidade.
As consultas são realizadas de terça a sexta, das 13h às 17h, mediante agendamento prévio pelo telefone, com no mínimo 24h de antecedência, para verificação da disponibilidade da publicação solicitada.