Igreja de São Francisco de Paula em Ouro Preto: história, arquitetura e vista inesquecível

Igreja de São Francisco de Paula em Ouro Preto: história, arquitetura e vista inesquecível

Igreja de São Francisco de Paula em Ouro Preto: história, arquitetura e vista inesquecível

No alto de um morro que se abre para uma ampla vista da cidade de Ouro Preto, a Igreja de São Francisco de Paula guarda camadas inteiras da história religiosa, artística e social da cidade. Construída entre 1804 e 1898, ela foi a última igreja erguida no período colonial com o traço original desenhado pelo sargento-mor Francisco Machado da Cruz. 

A confraria dedicada a São Francisco de Paula surgiu ainda em 1780, numa época em que a devoção crescia e a estrutura então disponível já não dava conta da comunidade. Primeiro veio uma pequena capela; depois, a decisão de construir um templo mais amplo, cuja obra atravessou todo o século XIX, interrompida diversas vezes pela falta de recursos da Irmandade. A capela-mor levou mais de trinta anos para ser concluída, passando por diferentes contratos, ajustes e etapas.

Só em 1835, a antiga capela foi anexada à nova construção, funcionando como nave provisória. A nave definitiva viria depois, finalizada em 1878. O douramento do altar-mor foi executado em 1898 e os altares laterais receberam acabamento entre 1901 e 1908, com trabalho do artista Henrique Bource.

Mesmo concluída tão tardiamente, a igreja preserva características arquitetônicas dos templos do século XVIII. A planta segue o modelo clássico, com divisão entre nave, capela-mor e sacristia. Na fachada, as linhas retas dominam, enquanto as torres se alinham ao frontispício, criando uma superfície ampla e equilibrada. O frontão ainda guarda volutas barrocas e as torres mantêm pilastras enviesadas que dialogam com a tradição mineira. Lá dentro, o conjunto de talhas segue o rococó tardio, com seis altares dedicados a diferentes santos.

No altar-mor, as imagens laterais representam São Francisco de Assis e Santa Mônica, mas o destaque é a imagem de São Francisco de Paula, atribuída ao Aleijadinho. Fora do templo, quatro estátuas dos evangelistas, feitas em louça portuguesa, adornavam a escadaria.

Há um contraste interessante entre interior e exterior, por dentro a simplicidade predomina, já por fora, a imponência das torres e do adro pinta um quadro mais robusto. A partir dali, a vista se abre para Ouro Preto de uma maneira quase mágica, principalmente ao pôr do sol, inclusive é bastante comum visitantes irem até lá só para contemplar essa beleza. Isso sem falar que o cenário do adro é lindo para ensaios fotográficos.

Hoje, a igreja integra o conjunto de bens tombados e acompanhados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. No segundo semestre de 2025, o Iphan determinou sua interdição temporária para obras emergenciais no telhado. A decisão levou a tradicional missa dominical das 10h para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. O pároco da Paróquia do Pilar informou à comunidade sobre o reparo e destacou a importância da medida para a segurança dos fiéis.

As intervenções fazem parte de uma iniciativa maior. Em agosto de 2025, o Iphan liberou mais de R$ 20 milhões do Novo PAC para ações de restauro e requalificação em cidades históricas de Minas Gerais. Ouro Preto está entre os municípios contemplados, com obras em andamento nas igrejas de Bom Jesus de Matosinhos, São Francisco de Paula e Mercês e Perdões. Os projetos incluem restauração arquitetônica, pesquisa histórica e participação ativa da população. Em diferentes bairros, os moradores acompanham o processo de perto, conscientes do valor simbólico dessas construções para o presente e para o futuro da cidade.

Visitar a Igreja de São Francisco de Paula é compreender, em poucas caminhadas, como Ouro Preto foi construída sobre fé, trabalho, disputas e permanências. Mesmo quando fechada para obras, o adro, a vista e o entorno continuam oferecendo ao visitante uma experiência que liga arquitetura, história e paisagem de maneira natural e marcante.