Santuário de Nossa Senhora da Conceição: história, arte e memória no coração de Antônio Dias

Santuário de Nossa Senhora da Conceição: história, arte e memória no coração de Antônio Dias

Santuário de Nossa Senhora da Conceição: história, arte e memória no coração de Antônio Dias

A história do Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias acompanha a própria formação de Ouro Preto. A primeira capela surgiu por volta de 1699, ainda no arraial criado pelo bandeirante Antônio Dias, e já em 1705 foi elevada a matriz para atender a população que crescia depressa. Com o passar dos anos, o pequeno templo tornou-se insuficiente e, em 1727, começaram as obras da igreja definitiva. O projeto e a execução foram conduzidos por Manoel Francisco Lisboa, mestre carpinteiro e pai de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

A construção avançou lentamente ao longo do século XVIII, acompanhando um período de grande movimentação religiosa e artística na região. A matriz recebeu posse de governadores, acolheu irmandades influentes e quase se tornou a catedral do bispado que Minas buscava criar.

A arquitetura segue o modelo das grandes matrizes setecentistas: nave ampla, capela-mor robusta, corredores laterais com tribunas, sacristia transversal e fachada semelhante à da Matriz do Pilar, embora modificada no século XIX. O interior do Santuário de Nossa Senhora da Conceição preserva oito altares laterais, remanescentes da antiga matriz e representativos do barroco joanino, com talha densa, colunas espiraladas, dosséis e imaginária rica. Já o altar-mor traz a mudança de gosto da época, com colunas salomônicas executadas por Filipe Vieira e ornamentos que caminham em direção ao rococó.

A imagem de Nossa Senhora da Conceição, em tamanho natural, foi doada em 1893 e está entronizada no trono principal. As pinturas das paredes e do altar foram acrescentadas a partir da década de 1770, compondo um conjunto que une tradição barroca e influências decorativas de então.

A matriz guarda ainda um dos lugares mais simbólicos de Ouro Preto. No interior, em frente a um dos altares laterais, está o túmulo de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que também descansa ao lado de seu pai. Em 1968, parte da antiga sacristia e dos espaços anexos foram organizados como o Museu Aleijadinho, onde estão algumas de suas obras mais expressivas, como os leões de eça e a imagem de São Francisco de Paula.

O santuário se tornou um ponto fundamental para compreender a história religiosa e artística da cidade. O adro construído no século XIX, as sucessivas intervenções, os registros de irmandades, a longa cronologia de obras e restaurações mostram como a matriz sempre foi referência para a comunidade de Antônio Dias. Hoje, o templo mantém visitas regulares e celebrações semanais, recebendo fiéis, estudiosos e visitantes que buscam conhecer um dos espaços mais importantes do barroco mineiro.

Santuário de Nossa Senhora da Conceição